domingo, 1 de fevereiro de 2009

Amores Burocráticos

As vezes eu penso que tudo pode se tornar burocrático. E na medida em que se torna burocrático, fica chato, opaco. Sem graça.
Amar pode ser burocrático.
Não é que vc deixou de amar o cara, mas é que, sei lá, ficou assim, burocrático.
Burocracia não dá tesão. Precisa fazer esforço pra ser bom. E tesão não combina com fazer esforço - não neste momento, eu quero dizer.
Entenda, não é que eu deixei de gostar de ser psicóloga. Eu continuo me interessando pelas histórias, pelas vidas, pela saúde, pelos fenômenos humanos e por mais o que vc quiser que eu me interesse. Mas é morno.
No quinto ano eu fiz estágio na enfermaria pediátrica do Emilio Ribas, psicóloga-hospitalar-jaleco branco e tudo mais. E detestei. Pensei, sei lá, quem sabe no ambulatório eu curtisse mais? Detestei. Ok, mas gosto de trabalhar com crianças, então, quem sabe, atender crianças, hã? Aprimoramento na ACTC. Detestei. Entenda, quando digo que eu detestei, não é que eu detestei propriamente dito. Mas é aquela coisa que vc precisa cavar algo que vc goste naquela cena, e dizer, bom, aqui, neste pedacinho, eu sou feliz. Daí, continuando, eu fui pro Sedes, estudar crianças, porque realmente gosto de trabalhar com crianças - leia-se: gosto do universo infantil, dos brinquedos e das possibilidades criativas que o atendimento com crianças me proporciona - e, como uma criança, fiz 2 amigas maravilhosas, q me fazem esperar, como criança, o dia de ir ao Sedes e encontrá-las.
As vezes eu tenho a impressão que continuo na psicologia porque ainda não sei o que me fez entrar nela. Até descobrir, não posso sair.
Não quero mais viver de quem sabe agora eu me apaixono. Assusta, eu sei. Eu sempre mostrei muito que sou muito apaixonada pela psicologia. Pq eu até sou mesmo. Mas acho que não sou apaixonada por ser psicóloga. Sei lá. Pode ser só mais um bode momentaneo, mas enfim... o blog é meu e eu posso ir e vir no que digo sem me preocupar muito em ser cooerente.
A verdade é que a fotografia me arrebata a cada dia, um pouco muito mais. E vou sorvendo, amando, primeiro no deslumbre das novas paixões, depois numa coisa calma, amor antigo, daqueles que parecem que sempre estiveram aí, e vc não via, não ligava. Mas estavam lá, a vida toda, te espreitando. Até que um dia, bum, vc vê e é fantástico! E as coisas mais tolas parecem fazer sentido e vc se pergunta como não tinha visto isto antes? E vcs parecem que se conhecem a tanto tempo...
Minha analista disse uma vez desta coisa de idealizar a relação com a fotografia. Ela falou num outro contexto, mas eu entendi, e vou cuidando, pra que isto não entre no hall das minhas atuações intempestivas. Mas sabe, até tédio eu já sinto na minha rotina fotográfica. Sono as vezes. Não gosto de algumas coisas, de alguns trabalhos. Estas coisas que a gente sente no dia a dia de um trabalho, normal pacas, em que tem dias que é legal, dias que não. Um amor humano, um pouco menos idealizado, eu penso, q no ano passado. Agora eu tenho mesmo é delirado de desejo de fazer, imagina só, um TCC só sobre a fotografia!

F. - dilemas éticos de fim de noite de botequim sem cerveja

Um comentário:

Mariana disse...

ai, fê.
não sei se é um bode momentâneo. às vezes penso que é uma alma que vive em transmutação... porra, por que? por que o encanto e, plim, o sono? penso o mesmo... vamos nos encontrar no botequim sem cerveja qq dia... te pago um suco e um sonho. beijo!