quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A morte e os mundos

Hoje a mãe de uma amiga morreu. E como disse outra amiga, não é recomendável que mães morram quando a gente tem só 26 anos.

Pois é, foi triste. Incrível como a vida acontece assim: um dia vc esta e no dia seguinte, puf, não esta mais.

A morte não me assusta mais tanto, mas ainda assim acho estranho esta coisa de a pessoa ir, e a vida continuar igual, porque a vida tem que continuar ué. Tem qualquer coisa de paradoxal aí, ao menos pra mim. A gente sempre prefere pensar que faz diferença no universo, né? E na realidade, penso que quando alguém morre, morre um mundo com esta pessoa. Porque cada um habita, cria, tece, caminha em um mundo. E daí o seu mundo se encontra com o meu, e juntos a gente cria um outro mundo - mas ainda mantemos o nosso individual - e daí, se um dia a gente deixa de se ver, este nosso mundo some, mas a afetação que eu produzi no seu mundo e que vc produziu no meu vai com a gente. Não tem jeito, sempre ficam marcas. E é por isto que é difícil sentir-se só de fato, porque, num certo sentido, estou sempre acompanhada das marcas que vão se produzindo no meu mundo. Na realidade, estas marcas não são estáticas, elas se movem, se resignificam, e a sua introjeção no meu mundo é antropofágica: vc deixa algo, eu engulo, metabolizo, e transformo em outra coisa que irá me compor.

F. L. - e vc, qual sua teoria?

Um comentário:

Mariana disse...

todo mundo carrega marcas. na alma, no corpo, no olhar... mas a passagem na vida é como um sopro, uma folha que cai de árvores secas após longas (ou antecipadas primaveras). de vez em quando brotam frutos nesse longo devir... mas o mundo gira, passa, e é isso mesmo: paradoxal, pra dizer o mínimo.