quinta-feira, 16 de julho de 2009

Noticias do Analista Marinheiro

Encontrei Analista Marinheiro na padaria hoje. No cair da noite, devorava um pedaco oleoso de pizza de balcao. Falei oi, me sentei ao lado dele e passamos a vida em dia. Como esta vc, como estou eu e bla bla bla. Conversamos sobre a Sereia. E ele, num misto de tristeza, raiva, frustracao e alivio me disse que ela havia sumido ja faziam algumas semanas. Enquanto bebia minha terceira xicara de cafe, ouvia Analista Marinheiro contar sua historia. Dos percalcos, da ternura, da paixao de transferencial avassaladora e dos afestos que as diferentes transferencias vao mobilizando no decorrer dos tratamentos. E entao falou da inseguranca. Daquela coisa que ele diz sempre, sobre a fragilidade de sua identidade de analista de consultorio particular. Identidade que ele sente que por muitas vezes so esta dada e assegurada exclusivamente na relacao especular com este outro-paciente. Falou. Falou. Falou um pouco mais.
Quando ele respirou, colocando o ponto final na historia, eu falei aquilo que somente amigos de verdade podem dizer. Talvez a combinacao de Sereia e Marinheiro, neste momento da vida, nao funcione mesmo, eu disse. E tudo bem. Analista Marinheiro nao deixou de ser mais ou menos Analista por isto. Pelo contrario ate. Mas talvez nao seja o caso de Sereia ser paciente de Marinheiro. Nao agora. E ponto. Ainda eh algo para pensar, mas algo para pensar mesmo. E enquanto ele tomava mais um gole de qualquer coisa gelada, ouvia atento minhas palavras. E segui lembrando a ele dos demais pacientes, dos que ainda viriam, dos que ainda iriam embora, do ir-e-vir, de novas Sereias... e desta violencia transferencial que ele vive e vivera em menor grau, ou maior com outros pacientes. Talvez Sereia tenha vindo para mostrar que todo este movimento se passa em todos os outros atendimentos. Mas que talvez passasse batido. Sereia colocou isto em primeirissimo plano. [e penso que eh ai que esta todo o poder transformador na identidade de Analista Marinheiro]
Pensei que ele se chatearia, se defenderia e que acharia que eu o estava substimando, colocando-o para baixo. Mas nao. Na abertura que somente amigos de verdade conseguem ter, ele ouviu. Atento. E segue pensando...
F.L. - ai, ai...

2 comentários:

J.R disse...

bom..nessa conversa de analistas vou ficar aqui quetinho, do ooouutro lado do balcão, atento ao pão.

(assobios)

Jú Pacheco disse...

rs.... espero qeu tenha ficado bem pós pizza e encontros na padaria...
de qquer forma prefira seeempre sopa: beeem menos risco de indigestão!! rs...

Seus textos estão cada vez melhores!!!
adoro te ler!