quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

E vc? Quando vai casar com vc mesma?


A minha vassoura dessa mesma linha!

O ano começou tem 28 dias.

E pra começar bem o ano, resolvi citar M.:

Enquanto eu falava sobre qual cor será a parede da sala, do quarto, como vou fazer o piso da varanda, e principalmente da minha vassoura pink de bolinhas brancas, ela me diz assim, cortante e com um sorriso na voz:

"Quer dizer que vc esta casando com vc mesma?"

Sim, estou. Por enquanto cuidando do meu enxoval delirante. Decorando cada pedacinho da casa. Tudo ainda na fantasia. Uma curtição.

Saí animada da sala de M. Feliz com a conquista de ter tido coragem de ampliar o meu universo de possibilidades, porque mesmo com todas as dificuldades que isso me trouxe, ter atingido a possibilidade de casar comigo mesma é incrível. 

... é preciso que te ocupes contigo mesmo, que não te equeças de ti mesmo, que tenhas cuidado contigo mesmo.

(Foucault)
 
Fe Lopes - noiva de si mesma.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Patinho - e vc, tem fome de que?

Pra celebrar a comilança de fim de ano!

Texto criado durante as oficinas do Marcelino Freire. Elaborado a partir da primeira frase enviada pela autora Ivana Arruda Leite (em itálico), que também colaborou com a edição final do conto.

Patinho

O amor vem de um lugar muito fundo e escuro, doutor. É lá que ele nasce, é lá que deve morrer*. Foi assim com o Antero. Homem lindo, macio, era um filé o Antero. A gente falava assim na época, sabe? Pois é, amei muito ele, já disse pro senhor. Amei 17 anos e 4 meses. Quando ele me conheceu eu ainda usava saia plissada. A mesma que ele tirou no décimo segundo encontro. Papai tinha ido abastecer o açougue e mamãe passava o dia atrás do caixa. Casa vazia, saia no chão. O resultado, doutor? Nove meses depois a saia plissada não servia mais. Culpa da Marina, aquela mais alta ali na foto. Nasceu de fórceps. 2kg e 900gm. Ficou linda vestida de daminha no nosso casamento: vestido godê, saia de tule. Ela adorava contar isso na escola. Era a única da sala que assistiu o casamento dos pais. Falava com a boca cheia. Aqui? Não, aqui ela não vem me ver, doutor. Nem pra trazer algo pra comer, nada. O senhor já viu a lavagem que servem aqui? Dia de festa quando tem um bifinho. E vem duro que nem sola de sapato. Detesto carne dura.

Marina era muito apegada ao pai. Não entendeu o que aconteceu. Contratou aquele advogado de gel no cabelo e calça risca de giz, o senhor viu, não viu? Deve ter feito até empréstimo pra pagar. Minha filha não olhou uma vez pra mim no julgamento. Me condenou antes da sentença, o senhor sabe disso, não sabe doutor? Já chorei tanto por isso que secou.

Marina chegou em casa logo depois que eu tinha limpado a cozinha. Acho que ela sabia da Helena, aquela piranhazinha loira. Se não fosse a Helena... Amiga de colégio da Marina. Fiz muito bolo de cenoura pro café da tarde delas. Sempre gostei de cozinhar, já disse ao senhor? Helena adorava meus bolos, frequentou lá em casa desde quando elas ainda usavam vestidinho amarelo, aquele do uniforme das madres, sabe? Helena era da família já. O problema começou quando elas passaram a usar saia plissada pra ir pra escola. Helena, carne dura e cor de rosinha à mostra no sofá da sala. Antero era doido por saia plissada. Tirou a minha no décimo segundo encontro, já disse isso pro senhor. Tirou a da Helena no décimo segundo aniversário da Marina. Doze era o numero da sorte dele, ele sempre dizia isso.

Eu sempre soube, doutor. Trancava a porta do quarto e ligava a TV naqueles programas de culinária que passam à tarde, sabe? Na quarta receita a Helena já estava fechando o portão. Esse livro aqui é todinho das receitas que eu anotei, o senhor quer dar uma olhada?

Helena era boa menina, não reclamava. Acho que ela gostava, isso sim. Quem não gostava de Antero? Helena nunca me enganou. E eu não me importava porque depois era minha vez. Ele vinha doido pra me comer. Até tapa na cara me dava. Acho que era pra me amaciar. E eu ia trabalhar de óculos escuros no dia seguinte, orgulhosa. Ah, Antero, amei tanto ele, doutor, senhor não imagina quanto.

Foi na feijoada do Zé que eu percebi que a saia plissada não servia mais na Helena. As carnes tudo saindo pelo zíper. O pai dela disse que ia denunciar pra polícia. Antero ficou louco. Era um menino, doutor! A desgraçada ia ter um menino. Antero era doido pra ter filho homem e eu era oca de homem. Deus não foi bom comigo. Antero fez as malas naquela noite mesmo, antes do jantar.

Na feijoada eu o vi falando pro pai da Helena que ia criar o menino, que tava apaixonado, ia morar com ela, o senhor acredita? Helena sorriu. Não disse que ela gostava, aquela piranhazinha? Lá mesmo na feijoada ele falou pra mim que ia me largar pra ficar com ela. Eu deixei a costelinha no prato, limpei a boca e fui pra casa. Antero foi logo atrás, pegou uma mala no armário e foi colocando as roupas. E eu colocando batatas na panela de pressão. Chamei ele pra jantar, ele disse que da minha comida não ia comer mais. O que aquela lá vai te dar pra comer, Antero? Carne dura, cor de rosa e sem banha, ele me disse assim, seco, duro de engolir, viu doutor. Daí ele foi pro quartinho dos fundos. E eu fui adiantando o molho da carne: azeite, alho, cebola e coloquei alecrim pra deixar perfumado. Não gosto de carne dura. Antero ia embora. Ia sem jantar. Patinho com batatas, molho de alecrim e arroz branco. Coloquei a receita no livro, bem aqui.

Marina chegou quando eu tava enterrando os ossos. As costelas eu dei pro Faísca. Ela chamou a policia. Marina é vegetariana, contei pro senhor? A Helena perdeu o bebê e também virou vegetariana.

Foi isso que aconteceu naquele dia, doutor. E é por isso que eu estou aqui comendo essa lavagem que não se dá nem pros porcos. Troco umas receitas com a Marta, a moça que tranca as portas aqui. Ela acabou de casar mas não sabe cozinhar. Mulher casada tem que saber cozinhar, não é doutor? Marta até fez um xerox do meu livro de receitas, a danadinha! Daí fez esta moela a milanesa e me trouxe pra provar. Que gentileza, não é doutor? Quer uma? Tá bem molinha. Já disse que não gosto de carne dura, não disse?

Fe Lopes - A gente não quer só comida.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Roer o Osso

- Soube que o Adriano está deprimido? Pois é, menina. Não abre as cortinas tem 2 semanas. O carro está lá, direto na garagem. Nilda disse pra minha faxineira que nem banho ele tem tomado, vê só que horror, menina. Se não fosse ela, Thor já tinha morrido de fome, tadinho. O bicho não está nem latindo pra não incomodar. Pois é, por isso que você nem sabia que ele tem cachorro. Uma gracinha, cuida do Adriano que você precisa de ver. É um pastor alemão. Li no google que eles são muito apegados ao dono. Fiéis. Agora a Paula nao. Fugiu menina, você não soube? Foi assim mesmo, da noite pro dia. Por isso que ele ta assim. Uma cachorra sem coração essa Paula. Deixar um homem bom que nem o Dri. É, esse é o apelido dele. Paula fugiu pra ficar com aquele vira-lata do Gerson. O do terceiro andar do bloco B, sabe?
O Dri está lá, coitado. Sozinho. Fiz uma canja e tô indo lá levar pra ele. O vinho? Ah, vou levar também... você... acha que esta bom o comprimento da minha saia?

Fe Lopes - tem gente que rói osso, tem gente que prefere filet mingnon.

Caminhada em 2010

Andei muito em 2010. E ainda tô andando. Tanto que as vezes nem deu pra parar por aqui. Levei blog e textos na cabeça. Alguns até marquei no papel, entreguei nas oficinas de escrita criativa, imprimi no livro. Andei por lugares tristes e difíceis. Mas tambem divertidos. Andei sobretudo por lugares que eu nunca achei que eu fosse andar. Aqueles que eu disse que jamais poderia, que não estavam no meu hall de possibilidades. Quando caminhei por eles, descobri que as possibilidades podem ser infinitas. E os caminhos também. E meu hall cresceu. E isso foi e tem sido uma delícia.

Ia dizer que o ano de 2010, pra mim, começou essa semana, mas na verdade, acho que tô é antecipando 2011.

Fe Lopes  - Ando dormindo pouco. Ando tão decidida. Tenho andando muito este ano.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Por um pouco mais de

Delicadeza

Fe Lopes

Na Mesma Lona - Fotos do Lançamento do livro!

Na Mesma Lona (adorei essa luz!):
Bia Bittencourt, Izilda Bichara, Julia Moreira,

Miriam Prado, Jordana Chaves, Carol Romão, André Sala, Eu,
Daniela Fajtlowicz, Gustavo Galizzi,
Alfredo Stahl, Renata Pinheiro.


 Na Mesma Lona dessa vez com flash:
Bia Bittencourt, Izilda Bichara, Julia Moreira,
Miriam Prado,Jordana Chaves, Carol Romão, André Sala, Eu,
Daniela Fajtlowicz, Gustavo Galizzi,
Alfredo Stahl, Renata Pinheiro.

 João Anzanelo Carrascoza
(escritor, nosso professor na AIC, autor do prefácio do livro),
 Eu, André Sala, Bia Bittencourt, Julia Moreira, Carol Romão e Jordana Chaves.

 Na Mesma Lona: Eu, Izilda Bichara, Carol Romão,
Flávia Fonseca, Jordana Chaves,
Renata Pinheiro, Teresinha Theodoro, Bia Bittencourt,
André Sala, Alfredo Stahl, Miriam Prado,


Em primeiro plano, meu conto no livro
(com direito a beijos de rouge intense no autógrafo),
e eu e a Jordana ao fundo. 


Fe Lopes - Escritora!